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Casa EPS é resultado do estudo de arquiteta sobre os painéis monolíticos

05/09/2019

O projeto de uma residência de alto padrão, no litoral do Rio Grande do Norte, em sistema construtivo com painéis monolíticos de poliestireno expandido, exigiu rigor técnico em pesquisa e desenvolvimento, com ênfase na sustentabilidade

Hosana Pedroso

Casa EPS é resultado do estudo de arquiteta sobre os painéis monolíticos O EPS garante obras limpas devido à baixa produção de resíduos (Foto: Monalisa Nogueira)

Em 2017, a então estudante de Arquitetura e Urbanismo da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), Monalisa Nogueira Barreto, se propôs a estudar as propriedades de um sistema construtivo inovador e adotá-lo no projeto da residência de clientes reais. Considerando que o sistema construtivo mais utilizado no país é a alvenaria de tijolos e estrutura em concreto armado, ela apontou, porém, ser esse um método de produção artesanal, que torna longo o prazo de execução da obra. Além disso, é ambientalmente hostil pelo uso excessivo de água e produção de resíduos. E, ainda, suscetível a patologias relacionadas à baixa padronização.

A racionalização do processo construtivo é a solução, segundo ela, para dotar a indústria da construção civil de capacidade de produtividade, de construtividade, baixo custo e desempenho ambiental. Entre os vários sistemas inovadores, como o steel frame, concreto-PVC, wood frame e pré-fabricados de concreto, a arquiteta destacou que os painéis monolíticos de poliestireno expandido (EPS) vem se fortalecendo no setor e se consolidando pela inovação, tecnologia e ecoeficiência.
 

Definindo o EPS

Em seu trabalho na UFRN, Monalisa Barreto definiu a tecnologia dos painéis monolíticos modulares pré-fabricados. São constituídos por placas feitas com telas de aço galvanizado unidas por treliças de ferro galvanizado, dispostas a cada 15 cm, e recheadas com EPS. Podem receber, no canteiro de obras, barras metálicas adicionais para sustentação extra. Os recortes necessários para colocar portas, janelas e instalações elétricas e hidráulicas são feitos rapidamente no próprio canteiro, depois que os painéis estão fixados na base – baldrame, por exemplo – e, em seguida, erguidos.

Para o acabamento, uma camada de argamassa de cimento de 4 cm de espessura é lançada, com a ajuda de uma máquina ou manualmente, que envolve a malha quadriculada de 5 x 5 cm de ferro galvanizado. O sistema de tubulações de hidráulica, esgoto e elétrica são instalados entre os painéis e a tela metálica antes da aplicação de argamassa, evitando quebra de paredes ou pisos depois de executados. O sistema de painéis monolíticos de EPS pode ser aplicado em prédios de até cinco pavimentos, para executar tanto paredes quanto coberturas inclinadas em residências, prédios comerciais, industriais e casas populares, principalmente no sul e sudeste do Brasil.

A arquiteta acrescentou informações relativas à ecoeficiência do EPS, que é justificada pela obra limpa com baixa produção de resíduos; baixa contaminação de solo, água e ar; economia de água na execução; e por ser composto de material 100% reciclável. Conferem segurança ao método aspectos como a garantia de o material possuir propriedade retardante a chama, com eficiência termoacústica inerente e resistência à agressão de agentes biológicos. Os painéis monolíticos de EPS permitem facilidade de fixar as tubulações e o transporte, por serem leves e compactos; estão disponíveis em diversas espessuras, o que assegura inovação e economia, através da racionalização da construção com redução de desperdícios de material, redução do consumo de aço, otimização do tempo da construção, elevada produtividade e serialização da construção. Os produtos finais de EPS são inodoros, não contaminam o solo, água e ar, são 100% reaproveitáveis e recicláveis e podem voltar à condição de matéria-prima.

Foto: Monalisa Nogueira
 

Projetos estudados

Para conhecer o desempenho, na prática, dos painéis monolíticos de EPS, a arquiteta estudou três projetos que utilizaram o sistema: Vila Maresia, Casa em Alfhaville e Casa Beto Rocha. Os dois primeiros conquistaram certificações de impacto ambiental do Green Building Council (GBC) – o outro, na época, ainda estava em fase de execução. O projeto Vila Maresia, assinado pelo arquiteto Luiz Paulo Machado de Almeida, com ajustes e projeto de interiores da arquiteta Fernanda Azevedo, foi executado em São Sebastião (SP) entre 2011 e 2014, totalmente com painéis monolíticos de EPS. A residência unifamiliar, com 1830 m² de área construída, foi a primeira a receber o selo referencial GBC Brasil Casa® do Green Building Council Brasil.

A arquiteta relatou: “A tecnologia foi empregada nas paredes e lajes e os 3.500 m² de paredes foram erguidas em apenas 8 meses. No processo construtivo, utilizou-se somente cimento CP III, que apresenta maior impermeabilidade e durabilidade. Além disso, as propriedades do cimento de baixo calor de hidratação e alta resistência à expansão auxiliaram para uma construção mais rápida. A residência possui alto desempenho de isolamento térmico e acústico, obtido através do processo construtivo com painéis de EPS, com um índice de redução acúsctica de 37 dB. O conforto abrange também questões de umidade, tendo em vista o alto desempenho de estanqueidade obtido através da tecnologia construtiva, pois o EPS é inerte por não absorver água, além de possuir propriedades antifungicidas”.
 

"No processo construtivo, utilizou-se somente cimento CP III, que apresenta maior impermeabilidade e durabilidade", Monalisa Barreto
 

Construída no condomínio Alphaville, em Campinas (SP), em apenas 16 meses, a casa tem projeto da arquiteta Teresa D’Ávila, com revisão da arquiteta Cristina Hana Shoji e projeto paisagístico da arquiteta Renata Kassis. Tem área construída de 450 m² em terreno de 594 m². A residência se conceituou por ser a primeira da América latina a conquistar o nível Silver do selo internacional Leed for Homes (Leadership In Energy And Environmental Design), tornando-se referência para construções sustentáveis.

No quadro, abaixo, ela apresenta um resumo dos conceitos empregados nesses três cases, a avaliação dos pontos positivos e negativos de cada obra e aplicação do resultado final da pesquisa no projeto que desenvolveria em seguida.

Resumo dos precedentes arquitetônicos de estudos de caso


O projeto da casa EPS

O projeto acadêmico de Monalisa Barreto foi desenvolvido para construção em terreno particular no Condomínio Bosque da Praia, em Ceará-mirim (RN). O empreendimento foi escolhido por possuir uma área de conservação ambiental e Selo Verde de construção, além de fácil acesso. O cliente real do projeto é uma família constituída pelo casal e dois filhos ainda crianças, e a casa será destinada a veraneio. A expectativa da arquiteta com o projeto e o uso da tecnologia inovadora de EPS foi que “o usuário se beneficie de residência econômica, alto desempenho em segurança, qualidade térmica e ecoeficiência que o sistema promete oferecer”.

Abaixo, o programa de necessidades:

O projeto incorporou conceitos de arquitetura bioclimática, adotando requisitos da norma de desempenho térmico para edificações - NBR 15220. A qualidade do projeto foi assegurada pela conformidade ao conjunto da norma ABNT NBR 15575:2013 – Desempenho de Edificações Habitacionais. Segundo a profissional, o desenvolvimento do projeto empregou os conceitos de união e conversão. A união está relacionada à capacidade de o projeto utilizar o sistema construtivo a seu favor e unir todos os aspectos de desempenho construtivo que um sistema industrializado propõe com os princípios de habitabilidade. “A conversão está intrinsicamente ligada à capacidade autoportante da tecnologia construtiva, e surge do intuito de se beneficiar de todas as vantagens apresentadas por ela, transformando o projeto habitualmente rígido e fechado em um projeto leve e permeável”, discorreu em sua tese.

O partido arquitetônico foi alcançado com o uso de cheios e vazios e grandes beirais, em uma construção em dois pavimentos, espacialmente na forma de uma letra L, que engloba uma área de lazer interna descoberta. Os clientes ainda não iniciaram a construção, porém devem fazê-lo em breve.
 

Por que a arquiteta optou pelo sistema construtivo em EPS

A arquiteta Monalisa Nogueira Barreto, hoje sócia do escritório Duas Arquitetas, em Natal (RN), optou pelo estudo dos painéis monolíticos de EPS quando buscava tecnologia construtiva industrializada, que permitisse a padronização do material e sua aplicação na obra.

“Nos anos de expansão, o mercado da construção civil não absorveu esses sistemas, mas continuou utilizando, principalmente, o convencional de alvenaria de tijolos cerâmicos e blocos de concreto. Nas pesquisas que fiz, o que mais me chamou a atenção foram os painéis monolíticos de poliestireno expandido (EPS), muito por causa da praticidade oferecida pela solução”, afirma.

Por ser um sistema construtivo completamente industrializado e que segue padrões estabelecidos em fábricas, mantem suas dimensões e propriedades térmicas. A execução da obra com os painéis não difere muito da empregada para paredes de alvenaria. “Por isso, para a comunidade local, a tecnologia seria mais facilmente absorvida devido à facilidade de implantação”, observa a arquiteta.

Projetos de arquitetura desenvolvidos a partir do conceito de padronização e modulação aproveitam a maleabilidade dos painéis de EPS, que possibilitam cortes e, até mesmo, o embutimento das instalações elétricas e hidrossanitárias. “Com a vantagem complementar de eliminar o desperdício de materiais, quando o sistema é comparado com o convencional”, observa. Monalisa Barreto ressalta que a obra da Casa EPS será realizada, inclusive já conta com o projeto executivo.
 

MONOPAINEL®, o monolítico de EPS do Grupo ISORECORT

Seguros, confiáveis e de alto desempenho: essas são as condições do painel monolítico desenvolvido pelo Grupo Isorecort, garantidas por ensaios laboratoriais. O Monopainel® é constituído por placa de EPS especial coberta por armadura de aço eletrosoldada (nas duas faces). Na obra, o material é revestido por argamassa estrutural. Seu uso em projetos de até dois pavimentos vai dos empreendimentos comerciais aos residenciais e, também, industriais, obras novas, ampliações e reformas. Tem total compatibilidade com outros sistemas construtivos, como concreto, aço ou madeira.

Entre as características técnicas do Monopainel®, destacam-se o conforto térmico e a leveza, além da alta resistência e da facilidade de instalação. A espessura do módulo padrão é de 8 cm de EPS e mais 3 cm de argamassa em cada lado, num total de 14 cm – medida semelhante à das paredes executadas com blocos de concreto. O Grupo Isorecort pode, ainda, produzir peças de dimensões especiais, sob projeto.

Para conhecer mais sobre o Grupo Isorecort, acesse o site www.isorecort.com.br

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