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Estudos demonstram a boa relação custo-benefício do geoexpandido

Apesar de o preço do metro cúbico da solução em EPS ser maior do que as opções tradicionais, ela oferece uma série de benefícios que reduzem o custo total da obra

Quando substituem os aterros convencionais em intervenções de geotecnia, os blocos de poliestireno expandido (EPS) de alta densidade proporcionam maior segurança ao mitigar riscos de recalques e rupturas. O produto, também conhecido como geoexpandido (ou geofoam, do inglês), oferece ainda outros benefícios, como a abreviação nos prazos de execução do projeto e o potencial de diminuir os custos totais da construção.

A economia financeira é resultado de uma combinação de fatores. “Como a realização da obra será expressivamente mais rápida em relação aos métodos tradicionais, haverá contenção nos custos de manutenção do local, envolvendo fatores como o aluguel de equipamentos, combustível, mão de obra ligada à estrutura do canteiro, alimentação, infraestrutura, entre outros”, enumera a engenheira Laura Verneck Bitencourt de Toledo.

A profissional é autora do trabalho “Uso de geoexpandido em aterros sobre solos moles com aplicação em um aterro de encontro de um viaduto”. A tese levou em consideração um aterro real de encontro, construído para acessar um viaduto na região da Grande São Paulo. A partir dessa construção específica, o estudo comparou o método convencional usado na construção com um projeto teórico empregando o geoexpandido.

Verneck calculou que o uso da solução de EPS tornaria essa construção 6,8% mais cara em relação ao procedimento tradicional. No entanto, ela destaca a importância dos custos indiretos — valores que podem ser minimizados pela adoção do material. “Com o geoexpandido, o trecho rodoviário teria sua circulação interrompida por menos tempo, diminuindo assim o impacto no entorno e, por consequência, possíveis prejuízos que essa pausa possa causar”, exemplifica.

 

Obra mais rápida


A execução do projeto de maneira mais rápida pode ser explicada por dois fatores. “Primeiro, o uso do geoexpandido diminui ou dispensa obras de preparação do terreno que podem ser necessárias nos métodos tradicionais, incluindo grandes reforços do solo e fundação. Também, muitas vezes, simplifica a geometria, reduzindo o tamanho do próprio aterro”, detalha Verneck.

Já o segundo tópico envolve a própria execução, que essencialmente consiste no encaixe de blocos de grande volume e baixo peso. As peças podem ser manipuladas por poucos trabalhadores, o que não demanda muito tempo. “A estimativa de produtividade é de 250 m³ de geoexpandido instalado por dia com um pedreiro e dois ajudantes. No projeto de aterro estudado, seriam apenas 40 dias de montagem, se fossem apenas esses trabalhadores”, diz a engenheira.

De acordo com Verneck, a diminuição no prazo da construção é suficiente para minimizar custos com mão de obra e equipamentos. “Além de outros fatores, a própria mobilização do canteiro é um valor que pode ser encolhido com uma obra mais rápida, já que determinados trabalhadores e equipamentos são necessários para estruturar o local, independentemente das demandas específicas do método construtivo”, complementa.

 

Manutenção menos frequente


Com o geoexpandido, os níveis de deformação do aterro se mantêm baixos, reduzindo muito as ocorrências de patologias na pista que poderiam demandar manutenção — tanto na própria estrada quanto no corpo do aterro. “A patologia mais comum é o desnível sentido na entrada de muitas pontes e viadutos, causada pelo excesso de deformação em comparação com a estabilidade das obras de arte”, destaca a engenheira.

 

Obstáculos


As características do geoexpandido possibilitam vencer desafios técnicos que os métodos tradicionais não conseguem de maneira individual, dependendo assim de outras soluções robustas e dispendiosas. “Nesses casos, muitas vezes, são necessárias estruturas auxiliares, o que não costuma acontecer quando se usa o geoexpandido”, diz Verneck, lembrando que nessa conta são adicionados os custos extras desses materiais de reforço.

“Além da rapidez da execução e da economia com manutenção, a relação custo-benefício do geoexpandido se torna muito atrativa, sobretudo em obras com maior desafio técnico”, destaca a especialista. No Brasil, há uma crescente demanda por construções sobre solos moles, isso porque outras regiões mais propícias já estão ocupadas. “Nesse contexto, a aplicação do geoexpandido se apresenta como uma solução viável e vantajosa”, completa.

Na opinião da engenheira, o principal obstáculo para a popularização do material é o custo. “Como já esperado para um produto manufaturado e com pouca presença no mercado brasileiro, o geoexpandido é mais caro do que um aterro tradicional, isso se compararmos somente o metro cúbico”, avalia. Entretanto, ela acredita que, em breve, com o aumento da comercialização do produto, poderá acontecer uma diminuição em seu preço.

“Essa solução, o método construtivo e seus pontos fortes ainda não são tão conhecidos no país. Mas, temos perspectiva de melhora nesse cenário devido ao aumento de trabalhos de divulgação”, destaca Verneck.

 

Estudo internacional


Um trabalho de pesquisa na Holanda sobre o uso de soluções alternativas para obras em solos moles chegou a conclusões bastante semelhantes ao estudo de Verneck. O material comparou cinco opções distintas que poderiam ser empregadas na ampliação de uma rodovia, sendo que entre as alternativas estavam os blocos de poliestireno expandido. O artigo indica que o custo do EPS como elemento de preenchimento é um pouco mais caro, porém todos os benefícios envolvidos auxiliam na redução do preço final.

O texto informa que as alterações no tráfego de veículos representam, aproximadamente, 15% dos gastos iniciais totais. Abreviando o prazo de execução, consequentemente esses valores se tornam menores. O artigo destaca a diminuição das manutenções no pós-obra como um dos aspectos que contribui para tornar o geoexpandido economicamente mais interessante. “Se incluirmos esses aspectos na análise, não se pode ignorar o fato de que, por comparação, um preenchimento com EPS seria a melhor escolha”, conclui o estudo holandês.

 

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