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Conheça os três métodos de reciclagem do EPS

Procedimento pode ser mecânico, energético ou químico, sendo que cada um tem características próprias e gera resultados variados

A reciclagem do poliestireno expandido (EPS) vai muito além da transformação dos resíduos em matéria-prima para confecção de novos produtos. O procedimento é capaz até mesmo de gerar energia elétrica e/ou térmica. A destinação do material para os centros de reciclagem, além de ser a opção ambientalmente acertada, colabora ainda para diminuir a quantidade dos volumes acumulados nos aterros.

Dependendo da tecnologia empregada pela usina, o poliestireno expandido é submetido a um dos três processos: mecânico, energético ou químico. Com características próprias, cada um deles gera produtos finais únicos.
 

Reciclagem mecânica do EPS

 

O método mais comum de reciclagem do poliestireno expandido no Brasil é o mecânico, que começa na separação das peças contaminadas por outras substâncias. No caso da construção civil, essas impurezas geralmente são provenientes de respingos de tinta, graxa, óleo ou cimento. Existe tecnologia para tratar o EPS sujo e permitir sua recuperação, entretanto, em situações severas, a limpeza se revela economicamente inviável.

Quando o reaproveitamento é considerado impraticável, sua destinação adequada é o aterro sanitário de classe II — que recebe resíduos sólidos não perigosos. Por outro lado, o EPS livre de impurezas segue para a etapa seguinte da reciclagem mecânica, em que as máquinas degasadoras retiram o ar presente no interior das peças. Após essa fase, o volume total do material é reduzido em até 90%.

O composto resultante passa por trituramento, processamento e aquecimento, etapas que o preparam para a extrusão e a criação de paletes de poliestireno expandido. O Material Reciclado (MR) mantém a qualidade e a resistência do EPS original, porém com textura mais áspera em relação à superfície do produto proveniente de insumo virgem. Já o custo do reciclado é, em média, de 15 a 20% menor.

O EPS de até 12 kg/m³ quando reciclado tem densidade que varia entre 9 e 10 kg/m³, muito próxima do tipo 1F. Na construção civil, ele pode ser aproveitado no recheio de telhas sanduíche, rodapés, decks, objetos decorativos, além de atuar como isolante térmico e acústico. A solução ainda é parte da receita do concreto leve, como substituta dos agregados graúdos ou da brita. Essa mistura pode ser utilizada em funções não estruturais, como nivelamento de pisos ou enchimento de lajes, e também na confecção de blocos leves.

O poliestireno expandido que passa por esse tipo de reciclagem também pode ser encontrado fora do canteiro de obras. Ele é usado como matéria-prima de diversos itens, que vão de canetas esferográficas e réguas até mobiliário e molduras, passando pelo enchimento de pufes e confecção de vasos para flores. A reciclagem mecânica é o modelo adotado pelo Grupo Isorecort, que recebe os resíduos por meio da logística reversa e de cooperativas que o recolhem das vias públicas, além das aparas dos blocos que a própria empresa produz.

 

Reciclagem energética do EPS


O poliestireno expandido tem elevado poder calorífico para ser aproveitado na geração de eletricidade e/ou calor. Esse é o princípio que torna possível a reciclagem energética do EPS, método com custos elevados e que demanda plantas devidamente preparadas. Apesar de suas vantagens, o procedimento ainda não é utilizado no Brasil em larga escala, sendo mais popular em países como Japão, Estados Unidos, Alemanha e Noruega.

Nele, os resíduos de poliestireno expandido são depositados num forno industrial capaz de atingir temperatura de até 1.000 °C. A queima gera gases quentes, posteriormente aspirados por caldeiras de recuperação que os transformam em vapor. O sistema tem ainda turbinas com pás que são movimentadas pelo vapor e é justamente essa energia cinética que acaba gerando eletricidade ou calor — dependendo da tecnologia empregada.

As instalações para reciclagem energética possuem soluções que purificam os gases poluentes, equipamentos que garantem que nenhuma substância nociva será enviada para a atmosfera. Já as cinzas oriundas da incineração do EPS podem ser coletadas e usadas na construção civil, por exemplo, na preparação do terreno durante a execução de projetos de ruas ou avenidas, nivelando o piso antes da aplicação da camada de asfalto.

O poliestireno expandido é um bom combustível para esse procedimento graças a sua origem. Assim como todos os plásticos, o EPS tem o petróleo como matéria-prima e isso explica seu elevado poder calorífico. Comparativamente, um quilo de plástico concentra o mesmo nível de poder calorífico que existe em um litro de óleo diesel. A reciclagem energética aproveita esse potencial para gerar até 650 quilowatts-hora (kWh) por tonelada de resíduo.

 

Reciclagem química do EPS


O terceiro processo de reciclagem consiste no uso de reações químicas para que o poliestireno expandido retorne para sua composição inicial. De volta ao estado de matéria-prima, ele pode ser empregado na produção de colas, solventes e até solas de sapatos. Entre os benefícios desse método estão o reduzido consumo energético e a possibilidade de trabalhar com diversos tipos de plásticos diferentes sem a necessidade de separação.

A qualidade do material reciclado é praticamente idêntica se comparada a dos produtos novos, além disso, mesmo resíduos com determinado grau de contaminantes podem ser tratados quimicamente. No entanto, depois desse processo, o EPS apresenta algumas restrições, não sendo indicado para a fabricação de embalagens de alimentos. Também há o potencial de o procedimento impossibilitar futuros reaproveitamentos das peças.

A reciclagem química acontece de maneiras variadas, como é o caso da hidrogenação. Nesta, o hidrogênio e o calor partem as cadeias de polímeros, criando produtos que serão processados em refinarias. Outro método é a gaseificação, em que o EPS é aquecido com ar ou oxigênio, gerando mistura de gases com monóxido de carbono e hidrogênio. Na quimólise, o glicol/metanol e a água fazem a quebra parcial ou total das peças em monômeros.

Por fim, a pirólise é a divisão das moléculas do plástico pela ação do calor e na ausência de oxigênio. Com isso, são geradas frações de hidrocarbonetos que podem ser tratadas em refinarias. Devido à possibilidade de lidar com resíduos que não são recuperados mecanicamente, essa técnica de reciclagem tem bastante espaço na Europa. Porém, assim como o procedimento energético, ainda é realizado em escala reduzida no Brasil.

 

Projeto “Isopor Amigo”


Um dos grandes entraves da reciclagem do poliestireno expandido no país é a falta de informação na sociedade, que majoritariamente desconhece o fato de que o material pode ser reaproveitado. Para mudar esse cenário, o Grupo Isorecort vem participando de iniciativas como o projeto “Isopor Amigo”, que consiste na instalação de pontos de coleta de resíduos de EPS e XPS no Perini Business Park, localizado em Joinville (SC).

“Ao conscientizarmos as indústrias que operam no parque Perini, mostraremos que o problema não é o plástico, não é o EPS, mas a falta de informação. Se antes a reciclagem era zero, com três meses de projeto certamente alcançaremos índices importantes em volume de produtos reciclados, e ficará evidente que, se a sociedade for bem instruída, dará o descarte correto ao material”, afirma Rodrigo Rezende, gerente Administrativo do Grupo Isorecort.

 

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